O último texto vem no segmento do "põem-te no meu lugar", fala sobre Bad Girls, acho frustrante o facto de hoje em dia sem querer querendo incentivarmos as mulheres, as raparigas e até as meninas ainda crianças a ter um certo tipo de comportamentos e acções que em última instancia acabarão não só por prejudicar as mesmas; mas por diminui-las como indivíduos.
Escrevo uma carta no silêncio da melancolia e invadida pela teimosia. Não instruída pelo orgulho mas mergulhada num pesar profundo. As tuas acções pesam-me mais do que qualquer penitência enviada por actos realizados por mim mesma.
Insisto em querer resgatar-te do buraco que escolhes cair e usufruir. Não te dás contas que sozinha consegues representar uma espécie inteira e borras a nossa imagem com as tuas escolhas.
És uma lutadora sem causa, talvez por procura de atenção, talvez por falta de alguém que realmente te dê a mão. E diminuíste como mulher não só nos olhos dos outros que nem chegas a conhecer mas naqueles que mais gostam de ti.
Porque bebes insensatamente? Fumas derradeiramente e dormes com este e o outro? O que se passou? Porque se passou? Mas a culpa não é só tua, e nesta bola de neve que criaste nós, a sociedade ajudamos-te a manda-la pela montanha a baixo. E no final de tudo ainda sobras tu, debaixo de toda a maquilhagem, de toda a artilhagem, dos sentimentos corrompidos ainda sobras tu. Aquela que outrora era a minha inspiração.
E nós os telespectadores da tua desgraça limitamo-nos a comprar mais lugares e pipocas e assistir o espectáculo e criticar-te. Nós os incentivadores do teu comportamento alimentamos a tua mente com imagens do que deves ou não fazer, com musicas para iludir o teu espírito lutador, que luta não só por ser assim que nasceu ,mas apenas porque perdeu o caminho do seu verdadeiro apogeu.
Dissemos-te que não deixes que ninguém te desrespeite, mas não com as mãos, dissemos-te que deverás ser sexy, mas não mostrando e dando o teu corpo. E dissemos-te que deves ter objectivos, mas não são para serem assim vividos.
Ainda assim, não consigo deitar a minha cabeça na almofada e adormecer, sabendo que hoje será mais uma noite em que sairás desprotegida, e viverás a tua vida fazendo as coisas que só te deixam no final de conta ainda mais sozinha. Apanharás o barco com um salto alto, toda pimpada enfrentarás assobios, palavrões e olhares diminuidores e nem assim ganharás o euro -milhões. De dia espero ainda saber que estás bem, mas durante a noite sei que se dado facto não acontecer a culpa conseguirá recair não só sobre ti.
O que afinal correu mal? Será fatal, teremos nós engrenado num caminho sem volta? Menina moça que tinha tantos sonhos, e tantos objectivos, o que correu mal?
Isto é mesmo uma melhoria da emancipação ou não passa duma grande e tremenda desilusão?









