sábado, 9 de outubro de 2010

Essência






Em metafísica, a essência de uma coisa é constituída pelas propriedades imutáveis da mesma, adventos do conhecimento. O oposto da essência são os acidentes da coisa, isto é, aquelas propriedades mutáveis da coisa, possíveis apenas durante a fase dedutiva

Engraçado como as coisas mais banais, e pitorescas do dia-a-dia podem nos remeter a pensamentos profundos. Viciada em música, não conseguindo sair de casa sem algum dispositivo de reprodução da mesma estou completamente habituada ao “play”, ” rewind”, “stop”…. O que poderá parecer uma divagação, tem a sua razão de ser.

Qual será aquela coisa básica, que se nos for retirada tornará o nosso ser irreconhecível a nós mesmos?
Na definição científica de essência é dito que são as características imutáveis. Partindo á priori da conclusão de que tudo á nossa volta, incluindo nós mesmos é mutável, e de que por mais que queiramos nada consegue ser permanentemente o mesmo. Quais serão as coisas imutáveis então?

Com acontecimentos traumáticos ou não, muitas das vezes encontramo-nos obrigados á mudança. Quer queiramos ou não, mudanças mínimas, ou por vezes mesmo drásticas. Mas no processo constante que é de aprendizagem viver, vai se começando com 5 malas no aeroporto e largando a bagagem… E no chegar ao destino não se saberá mais, ou ter-se-á a certeza completa de que apenas perdemos o que não era necessário certo? Ou o destino foi tão importante que a viagem não só foi um processo trampolim como de total e completa transformação. E eis que chega um novo eu.

Não sei…apenas divago sobre coisas que me são inerentes e pertinentes enquanto carrego o “rewind”, e tento a todo custo manter aquela que acho ser a minha essência.
Será ela: todas as qualidades que gosto de ouvir que tenho? Ou as coisas que não dispenso? Como uma infantilidade madura que perdura, inocência sonolência que não se deixa abater nem pela mais traumatizante das aventuras? O facto de sorrir sempre, independentemente de pra quem seja, ou como o meu estado de espírito esteja… e aquela humildade ensinada e predominante em mi…
Não sei =)

sábado, 17 de julho de 2010

Diferente





Na contemporaneidade dos nossos tempos, afinal ser contemporâneo é pensar sobre o hoje tendo os conhecimentos do ontem e a visão para alcançar o amanhã. Porque será que ainda ligamos tanto e conectamos sem conhecer raças? Nos centramos no dinheiro?


Ela olhou para os olhos negros daquela criança, e esta meigamente mirou-a como se pedindo algo de si. Temeu e repudiou a mesma, era apenas uma pequena menina de 3 anos que insistira em invadir a sua casa. Como negar um simples sorriso? Ou o abrir duma porta, um abraço e compreensão. Sei que é nova, e ainda não tem bem consciência do que faz mas temo pelo que a espera.
Revê-se. A sua inquietude, hiperactividade e curiosidade.

Num flashback é levada subitamente ao primeiro dia de escola. Era nova, todas estas caras brancas e pálidas e maneira como eles falavam. Daí limitar-se a ficar calada e assimilar. Tinha 5, naquelas brincadeiras típicas de criança as escolhas do recreio nunca recairiam sobre a criança diferente.
Diferença nunca foi algo aceitável, sempre algo que se lutou por aceitar.

Agora tem 19, terminou o ensino secundário, primeiro ano da faculdade e procura trabalho pela primeira vez tentando demonstrar aos seus pais a sua independência não só mental como financeira. Procura incansavelmente um modelo naqueles que são os seus gostos. Na música, nas revistas, na televisão. Os que mais se destacam apesar de serem similares a si não são ela. Quando procura trabalho não é chamada, e se tal acontece? A pessoa que fica com o cargo é diferente. Recusa-se a culpar o mundo pelas suas falhas e impõe em si uma coragem e determinação.

Hoje, aos 21 continuava a mirar a tal criancinha temendo que esta ainda, no século XXI viesse a ser excluída, maltratada, apontada e principalmente descriminada. Não era sua família, nem amiga ou coisa parecida, mas dividiam o mesmo tom de pele. O tal que se encontrava carregado de percepções e ideias pré-concebidas de quem por ignorância pura, maledicência ou medo transmitia não só em acções mas como em palavras, a ideia de que esta e outras tantas meninas iguais a ela nunca serão suficientemente boas. Nunca serão tão bonitas quanto outra qualquer. Nem merecedoras de certos tipos de relacionamentos, ou posicionamento.

A palavra diferente no seu dicionário tinha duplo significado. Força e frustração. Amor e ódio. Beleza e Feiura. Segurança e Medo.
Depende da mesma em que prisma quereria ficar, traçando a linha ou mudando-a para uma circunferência determinaria o que se lhe avizinha.
Esta pequena menina ainda não passou por metade, talvez não passará e conhecerá, nem dividirão a mesma história. Porque tu hoje poderás fazer com que pra ela o amanhã seja diferente, tal como avós, fizeram com a tua mãe e assim sucessivamente.

P.S- Ainda não mergulhei fundo na diferença nem penetrei até aos confins da minha dor sobre tal assunto, talvez por vergonha, falta de preparação ou simples preguiça mas irá chegar o dia em que o ponto da diferença será apenas um adjectivo positivo e sem duplo significado

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Pero caminha...




Pedaços duma divisão, com luz amena, toalhas no chão e vestígios que denunciam os actos mais sórdidos e viciantes.
Luxúria esta que tende em não me largar, apesar de tentar, não consigo evitar a vontade, a fome, a gana que tenho de te agarrar. É quente o ardor daquele que busca algo proibido.
Por quem te tomas? Não será para o bem comum que finalmente deitemos todas as regras, os formulários e caminhos apontados por quem pensamos serem exemplos de moralidade? Dando um gostinho da sobremesa sem porém me deixar sequer devorar o prato principal?
E enquanto formulas mil cálculos, razões, maneiras de me dizer não, eu penso em como irei avançar mais um pouco. As tuas barreiras quase impenetráveis sucumbem com a minha mão atrevida, como podem magras mãos ficar tão grandes assim, sempre que pensam que podem entrar dentro de ti. Esta, completamente desligada do meu cérebro apenas faz o que quer. Não pensa, não se auto-censura nem debate. Ela quer ir mais longe, talvez mais abaixo e continuar ate aonde seja possível. Os dedos serão os primeiros a sentir a subtileza do toque molhado, pois apesar da tua boca o negar, o teu corpo não arranja meios de conseguir disfarçar.
Outro stop. Balbucionas mil coisas e neste momento deverei por a cara de importado e de alguém que realmente se interessa. Infelizmente para ti, e maravilhosamente para mi todas as palavras em nada se compraram á ideia de te poder penetrar por trás com o teu rabo em meia-lua, com um rasgar de roupa e sexo á bruta.
Como podem magras mãos ficar tão grandes assim?

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Live your life

Todos nós temos um bocado de voyeurismo dentro de nós. Aquela pequena obsessão, interesse ou pura curiosidade de comentar analisar e especular sobre os outros. Nada mais normal uma vez que vivemos numa comunidade, e rodeados de outras pessoas. Muitos de certezas que queriam ser como Robinson Crusoe, porém para alegria de uns, tristeza de outros a realidade não é assim.

Analisamo-nos, criticamos e especulamos sobre a vida alheia, talvez no refúgio da energia investida nos outros a nossa se torne mais calma, menos complicada. Chegando até a consolar-nos quando os nossos problemas são na verdade ainda maiores. O facto de pensarmos que há sempre alguém pior do que nós ajuda de maneira corrosiva quando nos encontrarmos bem. E o facto de pensarmos que há sempre alguém melhor, mais novo, mais bonito, mais talentoso, mais engenhoso também ajuda para o desenvolvimento não só das nossas capacidades, do nosso trabalho, corpo, mente como também á ideia do alter-ego.

Não será este apenas aquilo que alvejamos a vir a ser? O ponto máximo, o topo a meta? Se para chegar lá teremos que ultrapassar uns quantos, imitar outros ainda e superar milhões, a pergunta que teima em não calar é …valerá a pena?

Viver a nossa vida é óptimo, mas viver a vida dos outros por vezes parece ser tão melhor… Frase esta que chega com um certo tom de ironia e amarga teimosia...

sábado, 1 de maio de 2010

Quase...




quase
adv.
1. Não longe de, não distante de, muito perto de, muito próximo a.
2. Pouco menos de.
3. Com pouca diferença.
4. Por um triz que não.
quase quase: isso mesmo, tal e qual, como diz; já sem demora.
quase que: muito próximo a.

Existe um fascínio em mi permanente por assuntos inacabados, como um caminho que outrora começou a ser percorrido e hoje foi deixado a meio sem qualquer tipo de explicação. Terá sido curiosidade, um misto de exitamento que uma vez concretizado não valeu a pena para ser continuado e então terminado?
Como pode alguém ter saudades daquilo que nunca teve? E recordar sem ter reais memórias?
Não é este um post subjectivo, vem derivado de uma falta incessante de inspiração vendo a palavra quase estampada em todo o lado.
Eu que desta vez quase que consegui  chegar á perfeição, mas acabei enrolada na banalização. Tu quase que atravessaste o maior obstáculo, cortaste a meta mas te negaste a receber qualquer tipo de prémio. Aquele que não tem trabalho e reclama de quase ter conseguido aquela entrevista. Aquela que incessantemente procurou o prazer carnal e quase que esteve perto de se vir. Aquele que apesar de amar quase esteve perto de trair. Eles que quase se tornaram ricos em mais um molhe de negócios duvidosos e obscuros, porém terminaram sem nenhum. E nós que quase que escrevemos mais um textozito cheio de balelas mas que os nos disseram que era bonito.
Existe um elevado nível de conotação na palavra quase, quando mencionada pelo ser humano, seja em que situação este se encontra leva-nos directamente ao patamar da melancolia, e a seguir do quase vem o “e se”  e depois do “se” o “devia” teima em não querer perder a festa deste ciclo vicioso de pura e deslavada vontade de não deixar passar em branco. Não querer esquecer e de certa forma, se tentar encontrar uma desculpa para o que na verdade não aconteceu. 

Porém também se alia com todas as forças ao quase a palavra “esperança”. Porque se desta vez “quase” que consegui algo, para a próxima se voltar a tentar, esforçar, incentivar e não desanimar eu “se calhar” ,“quase”, por um triz que irei chegar lá....?

domingo, 18 de abril de 2010

Grande...Pequeno


O ser humano é por quase norma um elemento mediano que vai construindo o seu caminho através de escolhas.  
Estas escolhas começam desde tenra idade e com o passar do tempo tornam-se mais complexas envolvendo não só outras pessoas, como ideais que com o passar do tempo fomos desenvolvendo. Ideais, moral ou qualquer guia intelectual ou espiritual.
O que te torna grande? O que tornará o teu ser tão excepcional, fora do comum? O que tens que se te for tirado ninguém conseguirá igualar ou sequer competir?
Passamos os nossos dias a diminuirmos, seja quando baixamos a cabeça no trabalho, a uma situação que não consideramos completamente justa, pois eventualmente poderá nos causar graves problemas. Quando nos entregamos por algo abaixo do nosso valor, quando deixamos de amar por pura comodidade ou medo de voltar a ser maguados.
No final, no meio, ou mesmo no princípio disto tudo o que tornará uma pessoa invulgar? O que faz o coração bater mais rápido e esquecer tudo á volta sem precisar de ajuda de outros ou qualquer tipo de parceria, o que nos incentiva desafia e determina?
Ser grande é ter uma paixão uma vocação. Sei que agora podem parecer apenas palavras bonitas, que com a dureza da vida, a brutalidade dos acontecimentos e a falta de oportunidades pareceram quimeras…
Mas ainda haveram aqueles que continuam a tentar apesar de todas as atrocidades serem grandes. E surpreenderem não só pela embalagem que os embala mas pelo conteúdo inesperado.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Happy?





É fácil quando nos encontramos sobre qualquer tipo de sofrimento cairmos no erro de olhar para tudo á nossa volta com desdém, insegurança ou mesmo sem qualquer tipo de esperança. Sentir que o que nos condiciona é maior do que o que outrora nos emocionara e incentivara a ser mais … mais do que todos os “não vais conseguir”, “não é possível”, “não é para ti” mais.
Chorar é bom ajuda-nos a limpar e curar por dentro, mas mergulhar no choro ajuda-nos a esquecer do quão bom somos… Tenta da próxima vez que caíres em desgosto, em sofrimento, em perda de algo ou alguém canalizar a rebeldia, filtrar a emoção e direcciona-la para algo maior e ainda melhor, Tu.
Porque ser feliz não é um estado permanente é uma procura incessante.
Nós, as pessoas que guardam tudo cá dentro somos consideradas frias e às vezes insensíveis, mas nem sempre o sofrimento deve ser encarado como algo mau, trágico e principalmente público. Podes sofrer mas não significa que todo o mundo tenha que sofrer contigo. Privacidade e espaço nunca fará mal a ninguém.
Havia um desenho animado japonês de lutadores ninja que outrora passava na televisão, uma das personagens sorria sempre. Sobre chuva, trovoada, o que viesse sorria sempre. Um dia após um combate que esta havia perdido ensanguentada, fraca basicamente ás portas da morte no chão continuava a sorrir. E o seu parceiro chorando perguntou-lhe porque ria? Se estava em agonia e prestes a morrer porque sorria? E ele respondeu: “as circunstâncias que chegam na minha vida eu não posso travar, prever ou mudar. O sofrimento que os outros decidirem inferir sobre mi raramente posso impedir. Mas há algo que ainda posso controlar, é dar a permissão.” E o parceiro confuso não entendeu pois este tolo morria e não foi preciso dar permissão nenhuma ao seu inimigo para lhe esfaquear e morrer, mas podia ter lutado.
Tinha 10…11 anos quando assisti a este episódio e na altura também não entendi. Mas hoje penso que não podemos impedir o sofrimento de chegar á nossa vida, podemos tentar nos precaver, vivendo a vida de maneira segura sem correr qualquer tipo de riscos, mesmo assim se tiver que chegar virá. Porém podemos sim negar aos outros a permissão de além de nos fazerem sofrer, terem o gosto de nos verem sofrer…
Xoxo Nicole