Todos nós temos um bocado de voyeurismo dentro de nós. Aquela pequena obsessão, interesse ou pura curiosidade de comentar analisar e especular sobre os outros. Nada mais normal uma vez que vivemos numa comunidade, e rodeados de outras pessoas. Muitos de certezas que queriam ser como Robinson Crusoe, porém para alegria de uns, tristeza de outros a realidade não é assim.
Analisamo-nos, criticamos e especulamos sobre a vida alheia, talvez no refúgio da energia investida nos outros a nossa se torne mais calma, menos complicada. Chegando até a consolar-nos quando os nossos problemas são na verdade ainda maiores. O facto de pensarmos que há sempre alguém pior do que nós ajuda de maneira corrosiva quando nos encontrarmos bem. E o facto de pensarmos que há sempre alguém melhor, mais novo, mais bonito, mais talentoso, mais engenhoso também ajuda para o desenvolvimento não só das nossas capacidades, do nosso trabalho, corpo, mente como também á ideia do alter-ego.
Não será este apenas aquilo que alvejamos a vir a ser? O ponto máximo, o topo a meta? Se para chegar lá teremos que ultrapassar uns quantos, imitar outros ainda e superar milhões, a pergunta que teima em não calar é …valerá a pena?
Viver a nossa vida é óptimo, mas viver a vida dos outros por vezes parece ser tão melhor… Frase esta que chega com um certo tom de ironia e amarga teimosia...
segunda-feira, 24 de maio de 2010
sábado, 1 de maio de 2010
Quase...
quase
adv.
1. Não longe de, não distante de, muito perto de, muito próximo a.
2. Pouco menos de.
3. Com pouca diferença.
4. Por um triz que não.
quase quase: isso mesmo, tal e qual, como diz; já sem demora.
quase que: muito próximo a.
Existe um fascínio em mi permanente por assuntos inacabados, como um caminho que outrora começou a ser percorrido e hoje foi deixado a meio sem qualquer tipo de explicação. Terá sido curiosidade, um misto de exitamento que uma vez concretizado não valeu a pena para ser continuado e então terminado?
Como pode alguém ter saudades daquilo que nunca teve? E recordar sem ter reais memórias?
Não é este um post subjectivo, vem derivado de uma falta incessante de inspiração vendo a palavra quase estampada em todo o lado.
Eu que desta vez quase que consegui chegar á perfeição, mas acabei enrolada na banalização. Tu quase que atravessaste o maior obstáculo, cortaste a meta mas te negaste a receber qualquer tipo de prémio. Aquele que não tem trabalho e reclama de quase ter conseguido aquela entrevista. Aquela que incessantemente procurou o prazer carnal e quase que esteve perto de se vir. Aquele que apesar de amar quase esteve perto de trair. Eles que quase se tornaram ricos em mais um molhe de negócios duvidosos e obscuros, porém terminaram sem nenhum. E nós que quase que escrevemos mais um textozito cheio de balelas mas que os nos disseram que era bonito.
Existe um elevado nível de conotação na palavra quase, quando mencionada pelo ser humano, seja em que situação este se encontra leva-nos directamente ao patamar da melancolia, e a seguir do quase vem o “e se” e depois do “se” o “devia” teima em não querer perder a festa deste ciclo vicioso de pura e deslavada vontade de não deixar passar em branco. Não querer esquecer e de certa forma, se tentar encontrar uma desculpa para o que na verdade não aconteceu.
Porém também se alia com todas as forças ao quase a palavra “esperança”. Porque se desta vez “quase” que consegui algo, para a próxima se voltar a tentar, esforçar, incentivar e não desanimar eu “se calhar” ,“quase”, por um triz que irei chegar lá....?
Porém também se alia com todas as forças ao quase a palavra “esperança”. Porque se desta vez “quase” que consegui algo, para a próxima se voltar a tentar, esforçar, incentivar e não desanimar eu “se calhar” ,“quase”, por um triz que irei chegar lá....?
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